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riscos_e_rabiscos

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Ó Dia Tramado!

Há dias tramados, em que desde a manhã a sucessão de episódios "enervativos", não pára. Comecei por ser alvo de um pedido completamente despropositado. Fiquei tão embasbacada que até agora não fui capaz de dar uma resposta! Há pessoas que não conhecem o seu lugar, definitivamente!

 

De tarde ia ficando com os neurónios em papa, tipo requeijão ou iogurte! Não é que estive 90 minutos a ouvir isto: "dragon ball, cuecas ao sol" (cantado com a música dos desenhos animados), "voces provocam, eu provoco", "filhos da p*t@", "vão pro c*r@lh*"...!!!

É um aluno NEE e que até agora tinha estado calminho mas hoje... hoje deitou cá para fora o que acumulou em duas aulas em silêncio.

 

E eu mandava-o calar e ele dizia-me logo que não se calava. Uma coisa de loucos! Os colegas diziam-me "ó teacher, já não aguento mais" e eu só lhes dizia, façam de conta que não está ali ninguém e que não estão a ouvir nada. é que o outro não faz nada nem comigo nem com a professora titular. Fica na aula apenas para perturbar.

 

Só vos digo que saí da aula com uma enxaquca de tal ordem que ia vomitando no meio do corredor de entrada da escola. Surreal!

 

O Pum. (take 2)

 

Foi dia de entrega de testes. Excelentes notas, a nota mais baixa foi um 74%, e a alegria estava estampada no rosto dos miúdos. No rosto e em mais algum sítio...

 

Depois de todos verem quanto tiveram, perguntar aos amigos a sua percentagem, começou-se a corrigir o teste no quadro. Começo a escrever no quadro e quando me viro...

 

- Ó teacher... o C. deu um pum..., disse-me a E. num tom quase inaudível.

 

- Não percebi nada, E. . Repete lá de novo...

 

- O C. tá aos puns... , repetiu a E. em coro com o K., que está sentado ao lado do C.

 

"Ai o caraças", outra vez, pensei eu com os meus botões.

 

- C. vai à casa de banho, se faz favor..., peço eu meio zangada meio a rir.

 

- Mas eu não quero ir...

 

- Ai queres, queres... vai lá à casa-de banho...

 

- Mas eu não quero ir...

 

- Mas nós também não queremos levar com os teus puns e temos que estar a levar... vai lá à casa de banho... - disse eu mais séria já. é que comecei a sentir o cheiro nauseabundo das ventosidades anais do senhor C. .

 

Vendo-se sem alternativa, o senhor C., lá levanta as nalgas a custo da cadeira e vai dar uma voltinha até à casa de banho. Excusado será dizer que os outros estavam a rir-se, não do colega, mas da situação caricata que se estava a passar.

 

Aproveitando a situação para "ensinar boas maneiras", e enquanto me abanava com um teste para afastar o cheirete, disse à turma - cuja maioria tinha o nariz escondido debaixo da camisola - que todos nós fazíamos o mesmo, que era uma coisa normal no ser humano mas que quando tínhamos vontade, pedíamos para ir à casa de banho.

 

Só a mim é que me acontecem destas! O miúdo deve comer couves e bróculos e cebolas com fartura porque é meio gorducho e assim faz dieta, e depois vem expandir a "alegria" para a minha aula. Deve pensar que eu estou a precisar de "ar novo", de ficar verde... Ó valha-me nossa senhora do sagrado olfacto... Argh!

 

 

 

 

 

O Pum.

Enquanto o meu 3º ano procedia às rotinas iniciais da aula, notei que havia duas alunas a olhar com cumplicidade uma para a outra mas ao mesmo tempo com ar aflito. Estranhei.

 

Simultaneamente, olharam uma para a outra, levantaram-se das suas mesas e vieram ter comigo à minha secretária.

 

A M. toma coragem e diz-me:

 

- Ó teacher, o C. está só a dar puns...

 

- É verdade, teacher - diz a I.

 

- Já na aula de língua portuguesa ele estava a fazer o mesmo... era só puns malcheirosos... - diz a M.

 

Eu mal contive a vontade de rir, assim como toda a turma... Opá se há coisa que dá vontade de rir ao ser humano é um "punzinho melodioso", não é? Mas compreendi que as miúdas já deviam ter ficado verdes, amarelas, azuis, roxas e por aí afora. Por isso disse:

 

- Ó C., não queres ir à casa de banho?

 

- Não... - responde o C.

 

Como eu já vivi esta situação algumas vezes, insisti...

 

- Vai lá... via libertar o stress... sim, porque isso é stress... é dos nervos... vai lá...

 

A turma estava toda roidinha para desatar em gargalhadas por eu dizer que as ventosidades anais eram do stress, dos nervos, mas já sabiam que iam levar nas orelhas e contiveram-se.

 

O C. lá se levantou, dirigiu-se para a porta com o ar molengão que o caracteriza e um sorriso nos lábios, enquanto eu lhe dizia:

 

- Vai lá libertar a gaseificação que isso é dos nervos...

 

Oportunista, o K. veio ter comigo e perguntou-me:

 

- Também posso ir à casa de banho?

 

Como tinha acabado de vir do recreio, neguei:

 

- Não... eu só deixei o C. ir porque é uma questão de vida ou de morte... é que se ele não for libertar o stress à casa de banho, morremos aqui todos intoxicados...

 

E pronto! Parece que foi remédio santo. O K. já não quis ir à casa de banho, talvez com medo do "ar" que lá fosse encontrar, a M. não voltou a queixar-se e as "bombas antónias" pareceram ter cessado.

 

Ainda não foi desta que as potentes bombas antónias do C. conseguiram eliminar-nos... Ahahahah!

 

Miminho de Aluno (Take 1)

 

Vou carregada com os meus livros e tralha acessória a subir as escadas em direcção à sala de professores, quando oiço uma vozinha:

 

- Teacher, ó teacher...!

 

Olho para trás, conforme giro a chave na fechadura, e vejo o L.

 

- Ó L.zinho, o que queres à teacher?

 

O menino pára, faz uma cara meio séria e diz:

 

- Posso fazer-te uma pergunta?

 

Com um sorriso eu respondo:

 

- Claro que podes!

 

Com o seu arzinho de 5 aninhos mas ainda nos 4, o L. pergunta-me:

 

- Posso dar-te um beijinho?

 

Agarrei-me a ele e disse-lhe:

 

- Podes dar os que quiseres porque eu também te vou dar muitos...

 

E dei!

 

E são estes miminhos tão doces e preciosos que nos abrilhantam e dão alegria à vida. Os pequenotes às vezes nem sonham o quanto estes miminhos são importantes para nós e que nos sabem melhor do que toda a fortuna do mundo!